Vontade
by Íris M. Lima
Tenho vontade de morrer
quando me olha
provoca
excita
(mas não me toca)
Tenho vontade de morrer
quando sussurra
ao meu ouvido
põe a mão mais atrevida
no meu local mais proibido
Tenho vontade de morrer
quando mergulha
em minha boca
inunda os lábios de prazer
(rimo gozo como louca)
Tenho vontade de morrer...
(então morro de vontade)
Não quero mais nada (só você)
Não quero escrever poesia
Não quero mais ser poeta
Poeta sofre demais
Não quero mais sofrer
Não quero mentiras
Nem verdades doloridas
Quero silêncio
Não quero mais!
Traga-me os sorrisos
Não me trague com um sorriso falso
Deixe-me em paz
Mas não me deixe
Surfe-me
De minha janela
eu o observo,
ele passa bem cedinho,
descalço,
peito desnudo,
cabelos soltos
e pele queimada de sol.
Meu Deus, como é bonito!
Anda devagar como se desfilasse pra mim,
abraça a prancha como uma amante,
queria ser aquela prancha.
Ele poderia até me pisar depois.
Mas antes teria que deitar sobre meu corpo.
M. Consuello